Terror em Moçambique: cristãos são mortos e milhares fogem após nova onda de ataques
- Redação

- 2 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Investidas coordenadas do Estado Islâmico deixam rastro de destruição, medo e deslocamento em massa no Norte do país.

Pelo menos dez cristãos foram assassinados na cidade de Memba, província de Nampula, após ataques violentos no início de novembro. A escalada da violência provocou uma fuga em massa: segundo a Organização Internacional para Migrações (OIM), 71.983 pessoas deixaram suas casas apenas nos primeiros dias do mês. A situação reacende o alerta internacional para a crise humanitária e religiosa que Moçambique enfrenta desde a chegada dos grupos extremistas associados ao Estado Islâmico.
Entre 13 e 15 de novembro, combatentes vinculados ao Estado Islâmico da Província da África Central (ISCAP) lançaram ataques simultâneos nos postos administrativos de Chipene e Lúrio. Casas e igrejas foram completamente incendiadas, obrigando famílias cristãs a fugirem para distritos vizinhos de Cabo Delgado e outras regiões de Nampula. Tropas militares foram enviadas às áreas atacadas, mas ainda lutam para conter o avanço dos extremistas.
Violência extrema e número crescente de cristãos mortos
Parceiros da Portas Abertas confirmam que, apenas em 2025, 66 cristãos foram mortos no Norte de Moçambique. Os ataques recentes elevaram esse número para 76 vítimas. Sobreviventes relatam brutalidade extrema. Um líder cristão que escapou por pouco afirmou:
“Sobrevivi apenas pela graça de Deus. Agora estou escondido porque sou muito conhecido, e eles teriam me matado se me encontrassem”. Seu nome não foi divulgado por razões de segurança.
A cerca de 500 km ao norte de Memba, outra cena de horror se desenrolou. Sete homens armados e uniformizados invadiram a comunidade pesqueira de Mocímboa da Praia. O imã local, Sumail Issa, revelou à CNN que só percebeu se tratar de jihadistas depois que eles hastearam uma bandeira do Estado Islâmico na mesquita. O grupo demonstrava confiança, em meio à recente suspensão do financiamento da USAID na região, o que fragilizou iniciativas locais de segurança e desenvolvimento.
Fontes da Portas Abertas alertam para um padrão claro: nenhuma mesquita foi atacada, enquanto todas as igrejas das áreas atingidas foram destruídas, evidenciando perseguição direcionada aos cristãos.
Crise humanitária e impacto espiritual devastador
Jo Newhouse (pseudônimo), porta-voz da Portas Abertas na África Subsaariana, expressou profunda preocupação:
“Não apenas o deslocamento causado pelos ataques gera uma situação humanitária crítica, mas as pessoas estão severamente traumatizadas. Sem falar no impacto espiritual que esses ataques têm sobre cristãos e líderes de igrejas, sabendo que sua fé coloca um alvo sobre eles e suas famílias. Instamos o governo moçambicano a fazer tudo ao seu alcance para proteger as comunidades vulneráveis no Norte de Moçambique e restaurar a lei e a ordem.”
A organização também reforça a necessidade urgente de intercessão e mobilização global contra a violência, convidando cristãos de todo o mundo a participarem da petição Desperta África.
Pedidos de oração por Moçambique
Ore pelo consolo de Deus sobre aqueles que testemunharam violência extrema.
Ore pelos deslocados e suas necessidades básicas, para que encontrem provisão e segurança.
Ore para que a fé e o testemunho dos cristãos em Moçambique sejam fortalecidos, mesmo diante da perseguição.
A crise no Norte de Moçambique continua sendo uma das mais graves e silenciosas perseguições religiosas da atualidade, exigindo atenção, apoio e ações urgentes da comunidade internacional.







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