Esposa de pastor da Igreja Zion é presa na China um mês após detenção do marido
- Redação

- 2 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Onda de perseguição na China se intensifica e atinge líderes, famílias e igrejas domésticas

A perseguição contra cristãos na China ganhou novos contornos após a prisão de Su Ziming, esposa do pastor Wang Lin, um dos mais de 30 líderes da Igreja Zion detidos em uma grande operação do governo chinês. A informação foi confirmada pela organização China Aid, que monitora violações à liberdade religiosa no país.
Su foi detida pela polícia de Beihai, na província de Guangxi, no dia 13 de novembro, acusada de “suspeita de uso ilegal de uma rede de informação”. A família não recebeu nenhum aviso formal de detenção, o que aumenta a preocupação sobre sua situação.
A prisão acontece exatamente um mês após a captura do pastor Wang Lin, em Shenzhen, no dia 9 de outubro. Desde o início daquele mês, líderes da Igreja Zion foram alvos de operações simultâneas em várias cidades, entre elas Pequim, Xangai, Zhejiang, Shandong, Guangdong e Guangxi, configurando um dos maiores ataques do governo comunista contra religiosos em mais de quatro décadas.
Tentativa de fuga frustrada
Segundo cristãos locais, um dia após a prisão do marido, Su tentou deixar a China com os filhos, mas foi impedida por agentes de fronteira, que informaram que ela estava proibida de sair do país. Para a China Aid, sua captura representa uma estratégia para pressionar ainda mais o pastor Wang, cortar sua comunicação com o exterior e dificultar sua defesa jurídica.
Família sob constante perseguição
Wang Lin tem 42 anos, é ex-advogado e possui Ph.D. em Teologia do Antigo Testamento pelo Wheaton College, nos Estados Unidos. Após concluir os estudos em 2017, retornou à China para liderar a Igreja Beijing Zion ao lado do pastor Ezra Jin Mingri.
Com o fechamento da igreja, uma das maiores redes de igrejas domésticas do país, Wang continuou seu ministério por meio de pequenos encontros e pregações na internet.
Desde junho de 2025, porém, sua família passou a conviver com vigilância contínua do Departamento de Segurança Pública e do setor de Assuntos Religiosos. Proprietários de imóveis onde moravam eram pressionados pelas autoridades, o que forçava mudanças frequentes. A educação dos filhos também foi prejudicada diversas vezes.
A Igreja Zion na mira do governo chinês
A Igreja Zion já enfrentava perseguições desde setembro de 2018, quando foi oficialmente proibida após se recusar a permitir a instalação de câmeras de vigilância em sua sede, em Pequim. Desde então, diversas filiais foram fechadas e seus membros monitorados.
A China Aid afirmou que a atual operação é “a mais extensa e coordenada onda de perseguição” contra cristãos na China desde a década de 1980.
Pressão internacional cresce
A onda de prisões gerou preocupação mundial.
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu publicamente a libertação dos líderes da Zion e criticou a postura do Partido Comunista Chinês, afirmando que o regime demonstra “hostilidade contra cristãos que rejeitam o controle estatal sobre sua fé”.
O ex-vice-presidente Mike Pence e o ex-secretário de Estado Mike Pompeo também condenaram a repressão. Igrejas domésticas na China e nos EUA têm organizado campanhas de oração e pedidos formais pela libertação dos detidos.
No Brasil, o deputado federal Jefferson Campos (PL) cobrou um posicionamento do governo brasileiro sobre os ataques à liberdade religiosa no país asiático.
Com novas prisões e incertezas sobre o paradeiro de Su Ziming, a comunidade cristã internacional segue mobilizada, enquanto familiares e fiéis aguardam por respostas e pela libertação dos líderes da Igreja Zion.







Comentários