Pai e filho são assassinados no Paraná e polícia investiga intolerância religiosa
- Redação

- 12 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Vítimas eram evangélicas e vizinho suspeito teria afirmado não gostar da família “por serem crentes”; caso chocou São José dos Pinhais.

Um duplo homicídio chocou São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e levantou a suspeita de intolerância religiosa. Na noite do último sábado, Claudecir Costa Lima, de 52 anos, e seu filho Felipe Willyan Cardoso, de 17, foram mortos a tiros na porta de casa. O principal suspeito é o vizinho Paulo Cesar da Silva, que se entregou à Polícia Civil na terça-feira.
De acordo com o depoimento colhido pela polícia, Paulo Cesar passou o dia praticando tiro ao alvo. À noite, dirigiu seu caminhão até a residência da família Costa Lima, chamou as vítimas até a porta, retornou ao veículo, pegou uma espingarda e disparou.
O primeiro tiro atingiu Claudecir. Felipe, que se aproximou de uma janela ao ouvir o barulho, foi alvejado em seguida. Outros familiares estavam na casa, mas não foram feridos.
“Ele não gostava da gente porque éramos crentes”, diz mãe das vítimas
Em entrevista à Ric Record Paraná, Rosimari Costa Lima, esposa de Claudecir e mãe de Felipe, relatou os últimos momentos ao lado do filho:
“Quando eu agarrei ele, eu vi que ele não tinha força… Quando eu vi, a camiseta dele estava cheia de sangue. Fiquei com ele até o final, mas ele foi rápido.”
Rosimari contou ainda que questionou a esposa do suspeito, que estaria no portão durante os disparos. Segundo ela, a resposta foi direta:
“Ele não gostava da gente porque nós éramos crentes.”
Histórico de conflitos e medo
O delegado Fábio Machado, responsável pelo caso, confirmou que há relatos de animosidade do suspeito contra a família pelo fato de serem evangélicos. A motivação por intolerância religiosa, porém, ainda está sob investigação.
Paulo Cesar declarou em depoimento que tinha desavenças antigas com Claudecir e reclamava do estacionamento de carros em frente à sua chácara. O delegado, no entanto, classificou a justificativa como absurda:
“Por um motivo sem razoabilidade alguma, ele executou as vítimas. Não é razoável que uma pessoa atire contra outra somente pelo fato de estacionar um veículo.”
A investigação também resgatou um episódio de dois anos e meio atrás, quando a família havia acabado de se mudar para o local. Rosimari afirmou que Paulo Cesar invadiu o terreno e matou o cachorro da família com um tiro, levando os moradores a cortarem qualquer contato por medo.
Suspeito autuado por homicídio qualificado
Paulo Cesar da Silva segue preso e deve responder por homicídio qualificado, com agravantes de motivo fútil e impossibilidade de defesa das vítimas. O inquérito policial permanece em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do crime, incluindo se houve motivação religiosa.
O caso mobilizou a comunidade local e acendeu o alerta sobre episódios de violência e intolerância que ainda atingem famílias cristãs no país.







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