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Nicarágua proíbe entrada de turistas com Bíblia e amplia repressão religiosa

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 16 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Organizações internacionais denunciam censura, perseguição a igrejas e avanço autoritário do regime de Daniel Ortega.



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Turistas que tentam entrar na Nicarágua estão sendo surpreendidos por uma nova e grave restrição: não é mais permitido levar Bíblia na bagagem. A denúncia foi feita pela Christian Solidarity Worldwide (CSW), organização internacional que atua na defesa da liberdade religiosa ao redor do mundo.


Segundo a CSW, a Bíblia passou a integrar uma extensa lista de itens proibidos nas fronteiras do país, ao lado de jornais, revistas, livros de qualquer tipo, drones, câmeras, alimentos perecíveis e objetos cortantes.


Um representante da empresa de transporte internacional Tica Bus, que realiza viagens entre países da América Central, confirmou à organização que passageiros saindo de El Salvador estão impedidos de transportar “Bíblias, jornais, revistas, livros de qualquer tipo, drones e câmeras”. Já um outro representante da mesma empresa, em Honduras, informou que essas restrições estão em vigor há mais de seis meses.


“Altamente preocupante”, diz organização cristã


A diretora de advocacia da CSW, Anna Lee Stangl, criticou duramente a decisão do regime nicaraguense.

“Os esforços do governo nicaraguense para restringir a entrada de Bíblias, outros livros, jornais e revistas no país são altamente preocupantes, dado o atual contexto de repressão”, afirmou.

Ela também fez um apelo direto às autoridades do país e à comunidade internacional:

“Pedimos ao governo da Nicarágua que bane imediatamente essa proibição e cesse seus esforços contínuos para sufocar a liberdade religiosa e de expressão no país. Também reiteramos nosso apelo à comunidade internacional para buscar formas criativas de apoiar e fortalecer as vozes independentes nicaraguenses tanto dentro do país quanto no exílio.”

Repressão religiosa em escala alarmante

A proibição da entrada de Bíblias acontece em meio a um cenário cada vez mais crítico para cristãos no país. De acordo com organizações de direitos humanos, mais de 1.300 organizações religiosas já foram fechadas. Igrejas enfrentam vigilância constante, eventos públicos são cancelados e líderes cristãos têm sido detidos.

Procissões religiosas nas ruas foram proibidas, a menos que sejam organizadas por grupos alinhados ao governo. Nos últimos quatro anos, mais de 256 igrejas evangélicas foram fechadas, segundo a organização Nicarágua Nunca Más.

O impacto também atingiu diretamente os líderes religiosos. Pelo menos 200 pastores e líderes cristãos fugiram do país, mais de 20 perderam a cidadania nicaraguense e 65 foram indiciados por acusações como conspiração e outros crimes políticos.

Crise política e perseguição desde 2018

A situação de repressão se agravou após as eleições gerais de 7 de novembro de 2021, consideradas polêmicas, quando Daniel Ortega foi reeleito para um quinto mandato. Desde os protestos populares contra o regime em 2018, cristãos passaram a ser alvos frequentes de perseguição.

A organização Portas Abertas relata que líderes cristãos na Nicarágua têm criticado publicamente a repressão violenta contra manifestantes e as restrições à liberdade de expressão, o que aumentou a pressão do governo sobre igrejas e comunidades de fé.

ONU denuncia ataque à democracia

Um relatório recente da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou oficialmente a perseguição religiosa no país. O documento afirma que o governo de Daniel Ortega tem suprimido a democracia, as liberdades individuais e reprimido igrejas e líderes religiosos.

Uma das especialistas responsáveis pelo relatório, Ariela Peralta, declarou que o regime está literalmente “em guerra com seu próprio povo”.

Ortega rejeitou as conclusões do documento, alegando que as informações são falsas e que organizações internacionais como a ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA) promovem uma campanha de difamação contra seu governo.

Autoritarismo crescente

Analistas internacionais apontam que o regime de Ortega se tornou cada vez mais autoritário, especialmente após a nomeação de sua esposa, Rosario Murillo, como vice-presidente, além do controle direto sobre os poderes Legislativo e Judiciário.

Atualmente, a Nicarágua ocupa a 30ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025, que classifica os 50 países onde os cristãos mais sofrem perseguição no mundo.

A proibição da Bíblia nas fronteiras é mais um capítulo de um cenário que preocupa líderes religiosos, organizações internacionais e defensores dos direitos humanos em todo o mundo.

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