Roblox é alvo de nova denúncia nos EUA por falhas na proteção de menores
- Redação

- 1 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de dez. de 2025
Processo afirma que plataforma se tornou um “campo de caça” para predadores e pressiona empresa a reforçar segurança infantil

A plataforma de jogos Roblox voltou ao centro de uma forte controvérsia nos Estados Unidos. Uma nova ação judicial afirma que a empresa falhou em proteger um adolescente de Oklahoma que teria sido vítima de exploração sexual após conhecer um adulto dentro do aplicativo. A denúncia se soma a uma série de processos semelhantes movidos nos últimos anos, aumentando a pressão legal sobre a companhia.
A ação foi apresentada pelo Dolman Law Group na quinta-feira, no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia. O jovem, identificado como “John Doe JH”, aparece como autor, enquanto a Roblox Corporation figura como ré.
No processo, os advogados alegam que a plataforma tem funcionado por anos como um “campo de caça” para predadores em busca de acesso a crianças e adolescentes. O documento afirma que o sistema de Roblox falha na triagem dos usuários e não implementa medidas suficientes para barrar criminosos.
“Como resultado direto do descaso imprudente do réu pela segurança da criança, o autor sofreu um trauma psicológico devastador e que alterou sua vida para sempre”, diz a ação.
A mãe do adolescente, segundo a denúncia, acreditava que o aplicativo era seguro por ser amplamente promovido como uma plataforma voltada ao público infantil. Ainda de acordo com o processo: “Sem que a mãe da autora soubesse na época, isso não passava de uma falsa fachada de segurança”.
De acordo com o relato judicial, o adolescente era usuário frequente de Roblox em 2023 quando foi abordado por um adulto que teria mentido sobre a própria idade. A denúncia descreve que ele utilizou “táticas de aliciamento bem documentadas”, construiu confiança por meio de conversas e, posteriormente, enviou mensagens e imagens de teor inadequado.
O documento afirma ainda que o predador pressionou o jovem a enviar imagens próprias, aproveitando-se da relação construída dentro do aplicativo.O processo pede indenização por danos emocionais, despesas médicas e outros prejuízos enfrentados pelo adolescente. Em nota, um porta-voz da Roblox afirmou: “Estamos profundamente preocupados com qualquer incidente que coloque nossos usuários em perigo.
Embora não possamos comentar sobre alegações apresentadas em processos judiciais, a proteção das crianças é uma prioridade máxima, e é por isso que nossas políticas são propositalmente mais rigorosas do que as encontradas em muitas outras plataformas”.
A empresa informou que, somente em 2025, lançou 145 novas iniciativas de segurança, incluindo parcerias com órgãos de fiscalização e organizações especializadas na proteção infantil, como a Tech Coalition e o projeto ROOST (Robust Open Online Safety Tools). A Roblox também reforçou que incentiva denúncias de comportamentos suspeitos e utiliza moderação humana combinada com tecnologia de monitoramento contínuo.
Neste mês, a companhia anunciou uma nova política de verificação obrigatória de idade, que utilizará reconhecimento facial ou confirmação documental para liberar o bate-papo entre usuários da mesma faixa etária. A novidade entrará em vigor em mercados selecionados ainda em dezembro e será expandida globalmente em janeiro. “Essa inovação permite o bate-papo baseado em idade e limita a comunicação entre menores e adultos”, declarou a empresa.
Apesar das iniciativas, especialistas em segurança digital afirmam que o histórico da plataforma exige atenção. Tim Nester, vice-presidente de comunicações do Centro Nacional de Exploração Sexual, disse ao The Christian Post:
“Não há dúvida de que o recurso de bate-papo do Roblox permitiu que predadores aliciassem crianças para abuso sexual. Menores também podem acessar experiências sexualmente explícitas, e houve moderação mínima e facilidade para burlar os controles de segurança”.
Ele ainda defendeu a aprovação da Lei de Segurança Online para Crianças (Kids Online Safety Act), afirmando:
“As crianças não devem ser vítimas de plataformas de jogos voltadas para o público infantil”.
O caso do adolescente de Oklahoma não é isolado. Em 2023, a emissora WABC noticiou o sequestro de uma menina de 11 anos de Nova Jersey por um homem que ela conheceu no aplicativo. No mesmo ano, a NBC News relatou o resgate de um menino de 13 anos em Utah, que também havia sido aliciado por um predador que utilizava plataformas como o Roblox.
A nova denúncia reacende o debate sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia na proteção de crianças, especialmente em ambientes que se apresentam como seguros, mas que atraem criminosos em busca de vulneráveis.







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